Espaço cíbrido
Autor: Giselle Beiguelman
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"A land art dos anos 60, e, especialmente as gigantescas earth works de Robert Smithson, reconfiguraram a arte pública, rompendo as relações correntes entre obras e lugares da memória. Ao perverter essa lógica, introduziam o conceito e a prática do tensionamento entre site e non-site, ou lugar e não-lugar, que esvaziava o sentido do monumento como agente do passado no presente, a partir de um esgarçamento da tradição newtoniana em que o tempo se define em relação ao espaço. Concebidas como obras com dimensões muitas vezes incompatíveis com a escala humana, lidando com materiais perecíveis e formas diagramáticas, configuravam uma arquitetura nova, sem valor qualitativo. Uma arquitetura que só se dá a ler momentânea e contextualmente, como as paisagens urbanas contemporâneas e suas seqüências de favelas e arranha-céus, pontes e dejetos, ou os supermercados e gadget stores, com suas infindáveis prateleiras de tudo e mais um pouco. Etéreas, informes e desobjetificadas, esse tipo de obra lidava com situações entrópicas em que parecia ser impossível perguntar: de que época é isso, fazendo com que se passasse a interrogar onde foi esse tempo? A ubiqüidade do cyberspace maximizou essas tensões, forçando-nos a reelaborar agora o espaço no âmbito da não-tridimensionalidade referencial e para além dos circuitos geográficos, em territórios maleáveis que se articulam na cartografia pontual das cidades globais, ou pós-urbanas, a partir e entre as dinâmicas das redes. É o que chamamos de configurações cíbridas, situações resultantes de experiência de interconexão de redes on line e off line, que se dão no trânsito e em trânsito, mediadas por sistemas de gerenciamento de tráfego, painéis eletrônicos, celulares, PDAs e agentes inteligentes, como a que lidou a teleintervenção urbana egoscópio."
Com esta citação, espero ajudar quem não entendeu do que o Simpósio Cibercultura irá tratar.
Caso queiram pesquisar mais, aí vai o link do texto na íntegra: http://www.pucsp.br/~gb/texts/egoscopio.pdf
Escrito por Katia às 10h04




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